Aprovado pelo FDA, Zulresso (brexanolona) é um medicamento específico para depressão pós-parto


Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, em países de baixa renda, a média de casos de depressão pós-parto é de 19,8%. De acordo com levantamento de 2016 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma em cada quatro brasileiras sofre do transtorno.

O quadro pode se iniciar logo no primeiro mês de vida da criança ou até um ano depois. Cerca de 50% dos casos, na verdade, começam ainda na gestação, só que não são detectados.

O puerpério é um período naturalmente delicado, em que a mulher encara sua fragilidade física, psíquica e social ao mesmo tempo. O corpo está se recuperando do parto e os hormônios, mantidos em alta durante a gravidez, despencam, prejudicando o humor. Adaptações precisam ser feitas nas relações consigo mesma, com o parceiro e com o filho.

Além disso, é necessário um rearranjo de condições materiais e objetivas que garantam os cuidados da criança. “São pelo menos três situações de fragilidade que trazem sobrecarga e tornam o risco de adoecimento psíquico maior do que em qualquer outra época não patológica da vida”, explica a psicanalista Vera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar, em São Paulo.

Para a maioria das mulheres, a soma desses fatores leva a um quadro chamado baby blues, que, embora inclua aspectos depressivos, tende a passar sozinho, como uma fase de adaptação. Mas parte delas evolui para a depressão em si, com sintomas mais numerosos, intensos e duradouros.

Episódios anteriores da doença (especialmente quando não devidamente tratados), contratempos surgidos na gestação, dificuldades conjugais, entre outras questões, podem contribuir para desencadear o distúrbio.

Os indícios centrais do problema no pós-parto são os mesmos de qualquer depressão: perda de motivação e prazer, além de uma sensação permanente de vazio e melancolia. Só que a falta de vitalidade torna a tarefa de cuidar do bebê mais difícil do que já é, causando sofrimento extra.

Pode haver sensação de incapacidade e até desinteresse pela criança. Em alguns casos, por um tempo, o parceiro, os familiares ou os outros cuidadores terão o importante papel de garantir que o bebê receba atenção e afeto.

A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou o primeiro medicamento exclusivo para depressão pós-parto em mulheres adultas, com a injeção do Zulresso (brexanolona) para uso intravenoso (aplicado diretamente na veia).

“A depressão pós-parto é uma condição séria que, quando grave, pode ser fatal. As mulheres podem ter pensamentos sobre se machucar ou prejudicar o filho. A depressão pós-parto também pode interferir no vínculo materno-infantil. Essa aprovação marca a primeira vez que uma droga foi aprovada especificamente para tratar a depressão pós-parto, fornecendo uma importante nova opção de tratamento “, disse a médica e diretora interina da Divisão de Produtos de Psiquiatria do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA, Tiffany Farchione.

O fármaco foi desenvolvido pela farmacêutica Sage Therapeutics e funciona de forma diferente dos antidepressivos comuns. “Esses levariam de quatro a seis semanas para trazer algum resultado”, afirma, em comunicado à imprensa, a psiquiatra Samantha Meltzer-Brody, professora da Faculdade de Medicina do Centro Médico UNC, nos Estados Unidos.

Segundo os cientistas, o Zulresso ajuda a regular alguns hormônios que contribuiriam para o problema. Além disso, interfere positivamente em neurotransmissores associados ao bem-estar, como os outros fármacos.

“As semanas e os meses seguintes ao nascimento são um período crítico para a ligação mãe-bebê. Por isso, encontrar um tratamento de ação rápida é crucial. Nos testes [com a nova droga],nós vimos pacientes começando a se sentir melhor dentro de dias”, complementa a doutora, que liderou as pesquisas de desenvolvimento.

Aprovação do medicamento
Foram realizados dois estudos pela faculdade de Medicina do UNC: um avaliou mulheres com depressão pós-parto severa e outro se concentrou nas com a condição em nível moderado. Todas haviam acabado de ter um filho.

Em ambas as pesquisas, uma parte das participantes recebeu infusão intravenosa de brexanolona por 60 horas no hospital; a outra, placebo (um tratamento sem efeito, para servir de comparação).As turmas foram acompanhadas por quatro semanas.

Para medir a eficácia, os especialistas levaram em consideração os sintomas, medidos por uma escala de classificação de depressão. Nas duas análises, o medicamento se mostrou superior ao placebo no fim do período de infusão. A melhora também foi observada quando os 30 dias de acompanhamento chegaram ao fim.

 

No BRASIL os pacientes podem ter acesso a este medicamento através da importação por pessoa física, mediante a apresentação da prescrição médica e alguns documentos pessoais.

A Primedicin pode assessorar a importação do medicamento Zulresso, consulte-nos para mais informações.

Zulresso (brexanolona) é um medicamento e seu uso pode oferecer riscos. Procure um médico ou um farmacêutico. Leia a bula.

 

Fonte:

https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/precisamos-falar-sobre-depressao-pos-parto/

https://setorsaude.com.br/wp-content/uploads/2019/03/FDA-aprova-primeiromedicamento-específico-para-depressão-pós-parto

 

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